Como Escrever a Introdução da Redação do ENEM: Passo a Passo e Erros a Evitar

Entendendo a Função da Introdução no Contexto do ENEM
A redação do ENEM é muito mais do que um simples texto sobre um tema proposto. É um instrumento de avaliação que testa a capacidade do candidato de se comunicar de forma clara, coerente e argumentativa, atendendo a um contexto sociocultural específico. Nesse cenário, a introdução não é uma mera formalidade; é a primeira oportunidade que o candidato tem de conquistar o leitor (o corretor) e estabelecer a direção que o texto seguirá.
Pense na introdução como a "capa" do seu argumento. Ela deve despertar o interesse, apresentar o tema de forma precisa e, o mais importante, declarar explicitamente a sua tese – a posição que você defenderá ao longo do texto. Uma introdução fraca ou desalinhada pode comprometer toda a construção do texto, mesmo que os parágrafos seguintes sejam excelentes. Por outro lado, uma introdução bem elaborada atua como um guia, mostrando ao corretor o caminho que você trilhará e, consequentemente, facilitando a compreensão da sua argumentação.
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O Que a Introdução NÃO Deve Ser
Antes de falar sobre o que fazer, é crucial entender o que evitar. Muitos candidatos cometem erros que, aparentemente, parecem inofensivos, mas que na prática prejudicam a nota. O principal erro é a "introdução genérica", aquele texto que fala sobre o tema de forma vaga e que poderia ser aplicado a qualquer outra questão. Outro equívoco comum é a "introdução que repete a pergunta", simplesmente copiando ou reescrevendo o enunciado do problema. Isso demonstra falta de originalidade e não agrega valor ao texto.
Também é um erro grave fazer uma introdução que já apresenta a conclusão ou que antecipa argumentos complexos que serão desenvolvidos depois. A introdução deve ser um convite para a leitura, não um resumo do final. Por fim, evitar a linguagem excessivamente rebuscada ou o uso de clichês é fundamental. A clareza e a autenticidade são valorizadas muito mais do que a ostentação de vocabulário.
Os Elementos Essenciais de uma Introdução de Qualidade

Uma introdução eficaz para a redação do ENEM geralmente é composta por três partes fundamentais, que devem seguir uma ordem lógica e natural:
- Contextualização (ou Apresentação do Tema): Esta é a etapa em que você situa o leitor no tema proposto. Não basta apenas citar o assunto; é necessário brevemente contextualizá-lo, mostrando que você compreende o problema em um âmbito mais amplo. Isso pode ser feito por meio de uma curta afirmação sobre a realidade social, econômica ou cultural à qual o tema está ligado.
- Declaração da Tese (ou Posicionamento): Esta é a parte mais importante da introdução. Aqui, você deve explícitar de forma direta e inequívoca a sua posição em relação ao tema. A tese é a sua hipótese, o seu argumento central que será desenvolvido e defendido ao longo do texto. Ela deve ser uma frase completa, concisa e que responda à pergunta implícita no enunciado.
- Previsão do Desenvolvimento (ou Encaminhamento): Esta é uma parte opcional, mas altamente recomendada para quem busca uma nota máxima. Ela funciona como um "mapa" do texto, indicando brevemente quais serão os principais argumentos ou as linhas de raciocínio que serão utilizados para sustentar a tese. Isso demonstra organização e coerência ao corretor.
A Tese: O Coração da Introdução
A tese é o elemento que mais distingue uma boa introdução de uma má. Muitos candidatos cometem o erro de deixar a tese implícita, achando que o corretor vai "descobrir" a sua posição. Isso é um grande equívoco. O ENEM valoriza a clareza e a objetividade. A tese deve ser explícita, ou seja, o candidato deve dizer claramente o que pensa sobre o tema. Por exemplo, em vez de apenas falar sobre o tema "Uso de redes sociais", a tese deve declarar uma posição: "O uso descontrolado das redes sociais tem contribuído para o aumento da solidão e do isolamento social entre os adolescentes, um problema que exige ações educativas e familiares direcionadas." Essa frase define o caminho do texto.
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Um Modelo Prático de Introdução

Para ilustrar como esses elementos se conectam, apresentamos um modelo genérico que pode ser adaptado para diferentes temas. Lembre-se de que este é um modelo, e a linguagem deve ser sempre sua e autêntica.
"O [CONTEXTO AMPLA DO TEMA, com uma afirmação sobre a realidade]. Diante desse cenário, é essencial compreender que [AFIRMAÇÃO MAIS ESPECÍFICA SOBRE O PROBLEMA]. Nesse sentido, defendemos que [DECLARAÇÃO CLARA DA TESE, ou seja, a sua posição]. Para fundamentar essa posição, discutiremos em primeiro lugar [PRIMEIRO ARGUMENTO], para em seguida analisar [SEGUNDO ARGUMENTO], finalizando com uma reflexão sobre [TERCEIRO ARGUMENTO ou UMA CONCLUSÃO PROVISÓRIA]."
Exemplo Prático com o Tema "Uso de Redes Sociais"
Aplicando o modelo a um tema comum, a introdução poderia ficar assim:
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"O advento das redes sociais revolucionou a forma como nos conectamos, mas também criou novos desafios para a sociedade contemporânea. O excesso de exposição virtual e a busca por validação têm se mostrado prejudiciais à saúde mental de usuários, especialmente de jovens. Portanto, argumentamos que a regulamentação do uso de algoritmos pelas empresas de tecnologia é fundamental para proteger a saúde mental dos adolescentes. Para construir essa argumentação, exploraremos os impactos psicológicos dessas plataformas, analisaremos a responsabilidade das corporações e proporemos alternativas de uso consciente."
Exemplos de Introduções: O Bom, o Regular e o Ruim
Para fixar os conceitos, vamos analisar três versões para o tema "Desigualdade Social no Brasil".
Exemplo 1: Introdução Fraca (Evitar)
"A desigualdade social é um grande problema no Brasil. Muitas pessoas vivem em condições precárias enquanto outras têm muito dinheiro. Este texto vai falar sobre essa questão que é muito importante para o país. É preciso acabar com essa disparidade."
Análise: Esta introdução é genérica, repete a pergunta, não apresenta uma tese clara (o que se deve fazer?) e utiliza uma linguagem simples demais, sem demonstrar um entendimento profundo do tema.
Exemplo 2: Introdução Regular (Aceitável, mas não excelente)
"O Brasil apresenta um dos mais altos índices de desigualdade social do mundo, um legado da história do país que persiste apesar do desenvolvimento econômico. Este texto discutirá as causas dessa disparidade e apresentará possíveis soluções. Acredita-se que a educação é a ferramenta mais eficaz para mudar esse cenário."
Análise: Melhorou a contextualização e há uma tese implícita (a educação como solução). No entanto, a tese ainda é fraca ("Acredita-se que...") e a previsão do desenvolvimento é vaga ("discutirá as causas...").
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Exemplo 3: Introdução Excelente (Modelo a seguir)
"Apesar de décadas de crescimento econômico, o Brasil persiste com uma das estruturas de desigualdade mais profundas das Américas, onde a concentração de renda impede a efetiva inclusão de milhões de cidadãos. Diante dessa persistência, defendemos que políticas sociais universais, como o Bolsa Família, são insuficientes por si só, sendo necessárias reformas estruturais na área educacional e de saúde para combater as raízes do problema. Para sustentar essa tese, primeiramente analisaremos como a disparidade de renda se reflete no acesso a serviços básicos, depois examinaremos o papel insuficiente da educação na promoção de mobilidade social e, por fim, proporemos uma integração de políticas que vá além do assistencialismo."
Análise: Esta introdução é forte porque: 1) Contextualiza com dados e afirmações precisas; 2) Apresenta uma tese clara, direta e contestável ("políticas sociais universais... são insuficientes"); 3) Fornece um "mapa" claro do texto, mostrando ao corretor a estrutura lógica que será seguida.
Dicas Finais e Práticas para a Sala de Aula
Dominar a introdução é uma habilidade que se desenvolve com a prática. Aqui estão algumas dicas práticas para incorporar ao seu treino:
- Leia muito: A leitura regular de textos bem escritos, sejam eles jornalísticos, científicos ou literários, ajuda a internalizar o ritmo e a estrutura de uma boa abordagem.
- Pratique com tempo: Treine escrevendo introduções para as questões do ENEM dos últimos anos, mas com um tempo limitado, simulando as condições reais da prova.
- Pedra feedback: Troque seu texto com um colega ou um professor. Às vezes, o que está claro para você pode não estar claro para outro leitor.
- Revise sem pressa: Se tiver tempo no final da prova, use alguns minutos para reler sua introdução. Verifique se a tese está realmente explícita e se a linguagem está adequada.
Lembre-se: a introdução é sua primeira e talvez mais importante chance de se comunicar com o corretor. Investir tempo e atenção nessa parte do texto é um dos investimentos mais inteligentes que um candidato pode fazer para alcançar uma nota de excelência no ENEM. A clareza, a originalidade e a coragem de defender uma posição própria são os ingredientes secretos para uma abordagem memorável.














